Quinta da Azervada
 História da Azervada   

    Quinta da Azervada - Um pouco de História

    Manuel Andrade Junior, há muito que procurava uma propriedade que permitisse concretizar os seus objectivos de desenvolvimento como Lavrador.
    Natural de Almeirim, era um dos sete filhos de Manuel Andrade a quem chamavam « o Valador » por ter sido o responsável pela construção no início do século XX da importante obra de drenagem e regadio que foi a Vala de Alpiarça.
    Foi no Concelho de Coruche que encontrou a propriedade que reunia as condições para os seus projectos agrícolas.
    A Quinta da Azervada foi por ele adquirida no ano de 1928 e nesse mesmo ano iniciou a plantação de sessenta hectares de vinha em terra de aluvião, e de 100 hectares de Pinhal. Na área restante procedeu á construção de vedações preparando a instalação de uma vacada de Gado Bravo que pretendia adquirir.
    Manuel Andrade Junior não era um grande aficionado, mas os seus dois filhos Joaquim e Fernando tinham uma verdadeira paixão pelos Toiros e influenciaram o Lavrador para a actividade ganadera.
    Na época as deslocações de Almeirim a Coruche eram feitas por uma estrada de terra batida e nem sempre eram feitas de automóvel. O Lavrador e os seus filhos faziam aquele percurso de cerca de 35 Quilómetros utilizando um Break puxado a dois cavalos ou uma Charrete puxada por um cavalo. O que hoje em dia se faz em menos de meia hora, exigia toda uma manhã. Não era viavel por este facto as deslocações diárias e havia necessidade de criar condições de comodidade para pernoitar na nova propriedade.
    Esta a razão que levou á necessidade de imediato após a aquisição da propriedade de reralizar obras no Monte existente e adaptar as construções existentes para habitação do Lavrador e de seus filhos.  

    Manuel Andrade Junior faleceu subitamente com pouco mais de meio século de existência deixando a seus dois filhos um projecto iniciado na Quinta da Azervada.

    Joaquim e Fernando cumpriram a vontade de seu pai e não fizeram partilhas, constituindo uma Sociedade Agrícola, chamada de « Andrade & Irmão » para gerir todo o património herdado e sediada em Almeirim.
    Aquiriram à viúva de Soler em 1932 a sua Ganaderia, tendo sido a vacada instalada na Quinta da Azervada. Decidiram-se pela construção de um  Monte novo, onde para além de uma Casa de habitação foi construída uma Adega e Caldeira de Destilação, um Tentadero, e um grande conjunto de dependências para os diversos serviços agricolas. 
    O Monte original, onde se situava a habitação que Manuel Andrade Junior utilizara e dos diversos trabalhadores permanentes, foi também beneficiado mas não houve alteração da sua traça inicial. Nesse « Monte » habitavam na altura, oito famílias de trabalhadores da Quinta e é esse o conjunto habitacional que foi adaptado para o Turismo Rural.

    No ano de 1956 a Sociedade « Andrade & Irmão » foi dissolvida e feitas partilhas entre os irmãos Joaquim e Fernando.
    A Quinta da Azervada foi dividida ao meio ficando para Joaquim Andrade a que passou a ser designada como Azervada de Cima e que incluia o Monte antigo e para Fernando Andrade a Azervada de Baixo que incluia o Monte novo.

    Joaquim Andrade fez então algumas alguns melhoramentos na Casa que havia sido de seu pai e construiu de raíz uma moderna Adega e Caldeira de destilação bem como um vasto complexo de construções que incluia oficinas, cocheira, garagens e diversas arrecadações. Construiu ainda um novo Tentadero e um amplo conjunto de currais, uma vez que também a Ganaderia havia sido dividida.

    Este novo complexo de construções era o assento de lavoura de uma propriedade dinâmica que tinha na vinha e no vinho a sua principal actividade.
    Uma parte substancial deste complexo está hoje reconvertido para Restauração e Eventos.

    Joaquim tinha uma verdadeira paixão por aquela Quinta, onde passou a permanecer quase que em permanencia apesar da sua família continuar a viver em Almeirim.
    Entregou a responsabilidades de gestão da sua  Lavoura de Almeirim, a seu único filho José Manuel Andrade, pois era pela Quinta da Azervada que ele tinha verdadeira afectividade.


    José Manuel Andrade preocupado com o conforto de seu pai, uma vez que este praticamente ali passou a pernoitar durante toda a semana, convenceu-o a fazer obras na casa de habitação.
    José Manuel Andrade era casado com Maria Emília Lima Monteiro Andrade, pintora e poetisa, que nunca desprezou uma oportunidade de marcar em obra a sua veia artistica. Foi ela a arquitecta das alterações que configuram a Casa tal como está actualmente.
    Na mesma oportunidade foram realizadas obras de beneficiação de todas as casas dos trabalhadores que estão anexas à Casa do Lavrador.
    Foram escassas as noites que o Dr. José Manuel Andrade pernoitou na Quinta da Azervada, porquanto tal como o seu bisavô ele adquiriu uma propriedade perto de Évora, a « Sousa da Sé » para desenvolver o seu sonho de Ganadero e aí sim concretizou com sua mulher uma magnífica recuperação de um Monte e de toda a Herdade, que usufruia com prazer e muita assiduidade.


    Manuel Lima Monteiro Andrade era o mais velho dos três filhos de José Manuel e de Maria Emília  Joaquim Andrade, tinha por ele uma particular predilecção por aquele seu neto.
    Desse relacionamento íntimo entre Avô e neto resultou que Manuel normalmente nas férias passava-as na Quinta da Azervada junto de seu avô.
    Seu avô ofereceu-lhe uma das dependências onde ele criou o seu próprio espaço. A sua Tertúlia.
    Manuel tinha herdado a veia artistica de sua mãe, mas com muito mais ansiedade ciadora.
    Nessa pequena tertúlia deixou arte nas paredes e escreveu muitos dos seus versos que passaram a ser cantados pelos mais castiços dos fadistas de Lisboa.
    Muitas noites ali cantaram os seus poemas os seus amigos fadistas.
    Manuel desapareceu muito novo, com apenas vinte um anos, vítima de um desastre de viação no ano de 1966.
    Seu avô nunca mais pernoitou na Quinta da Azervada.


    José Lima Monteiro Andrade é o actual proprietário da Quinta da Azervada e o filho mais novo de José Manuel e Maria Emília.
    Sempre dividido na sua dedicação entre ser Agricultor e Político, seu pai atribui-lhe a responsabilidade de gerir a Quinta da Azervada de Cima, nos contorbados tempos revolucionários do após 25 de Abril  de 1974.
    Como curiosidade deve referenciar-se que a Quinta da Azervada de Cima foi a única propriedade da margem esquerda do Sorraia que não foi ocupada pelio movimento da Reforma Agrária, tendo durante uma série de anos sido uma ilha e também uma reserva do direito á propriedade privada na região. A este facto não foi alheio a dedicação de José para com a propiedade e a sua capacidade para se relacionar com os trabalhadores, ou seja foi o resultado objectivo da simbiose que permanentemente manteve de político e agricultor.
    José que se licenciou em Agronomia em 1974, foi eleito deputado à Assembleia da Republica em 1976, tendo sido um dos mais jovens deputados da 1ª Legislatura.
    Depois de mais de duas decadas como dirigente associativo agricola, foi em 1998 eleito Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal e também Vice Presidente da Confederação das Organizações Agricolas Europeias.
    Recentemente foi-lhe atribuída a Gran Cruz de Mérito Agrícola pelo senhor Presidente da República.

    Os quatro filhos de José Joaquim Lima Monteiro Andrade, Diogo, Marta, Joana e Mariana, constituem a Quinta geração familiar de proprietários da Quinta da Azervada.


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